Potiguares e récifensiz

Recifense

Veja o que diz meu amigo Houaiss:

Bairrista – datação 1836 cf. SC

  • adjetivo e substantivo de dois gêneros

1) que ou aquele que habita ou freqüenta um bairro
2) que ou aquele que defende com entusiasmo os interesses do seu bairro ou da sua terra
3) Regionalismo: Brasil.
que ou aquele que devota afeição especial ou exagerada à sua cidade ou ao seu estado e tem sentimentos e/ou atitudes de hostilidade ou de menosprezo para com as demais cidades ou os demais estados

Eu prefiro o número 2.

Ontem, em meio a uma conversa com um pernambucano, ele falava sobre o incômodo que o bairrismo exagerado (vide 3) lhe causava. Eu disse a ele que era justamente o bairrismo pernambucano uma das coisas que mais me encantava naquele estado. Do frevo ao futebol, das cores da bandeira à letra do hino, de Fernando de Noronha à Refinaria Abreu e Lima.

Mas parece que, como diz minha avó, tudo demais é veneno. Até amor exagerado pela terra. Para meu interlocutor, essa demasia atrapalhava o aprimoramento cultural recifense.

Pode ser, mas não talvez não houvesse o que aprimorar se não fosse a base desse exagero: o bairrismo. Ora, tudo vem com bônus e ônus. É a velha história de que tudo tem o lado bom e o lado ruim.

Já deu pra notar que eu sou ressentida com a completa falta de identidade cultural potiguar, né? Pra eu arranjar o adesivo da bandeira do Rio Grande do Norte (essa aí embaixo), foram muitas voltas.  Minha irmã comentou com um amigo nosso, que comentou com outro amigo que trabalhava na Governadoria e – só por isso – conseguiu o tal adesivo. Cigarreiras, papelarias, livrarias… Nada por aqui.

Bandeira RN

Bom, tem um lado legal, que é a facilidade de Natal acatar e aproveitar novidades.

Mas eu preferia mais bairrismo.

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2 Respostas para “Potiguares e récifensiz

  1. Nem me fale…. eu como músico sempre me preocupo com esse tópico. Mas cito um lado bom na nossa cidade: ela meio que sintetiza um monte de coisa que acontece no mundo quando se trata de expressões artísticas. Tem sempre um movimento de pessoas na contra-cultura que insiste em não botar os pés numa vaquejada (como eu). Se você quiser você pode inclusive aprender JAZZ em Natal! Pra mim Natal é um verdadeiro trampolim. Já venho pulando de lá pra cá já faz um tempo. Mas também sinto falta desse bairrismo no estilo recifense.

  2. Pingback: O povo mais metido do mundo | Eu e o Recife

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