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Mais uma vez em Boa Viagem em um fim de semana desses e, mais uma vez, a saudade das praias urbanas de Natal.
Nem um domingo de feriadão na Praia do Meio tem tanto lixo.

Praia imunda
Dos recifenses ouvi argumentos como “aquele pedaço da praia é do ‘povão’”, “domingo é ‘povão’ e a ‘densidade populacional’ na areia aumenta muito”, “Recife tem ricos muito mais ricos e pobres muito mais pobres do que Natal e muito mais pobres vão à praia”.
Eu discordo. Não era só pobre na praia. Tudo bem que grana e educação muitas vezes andam juntos, mas acho que é um questão cultural do povo daqui mesmo, porque a cidade toda tem lixo. E quando falo a cidade, incluo a prefeitura, que não bota lixeiros na areia nem garis na praia.
É uma pena. Pior ainda porque, sem carro e sem grana, só me resta Boa Viagem.
Leia aqui outro post sobre a praia.
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Um dos shoppings conhecidos no Recife é o Tacaruna – que passei um bom tempo chamando de Itacaruna.

É no caminho de Olinda. Tem cinema, Bompreço, wi-fi, boas lojas. Comprei meu microondas e minha geladeira lá – tem umas quatro lojas de eletrodomésticos (contando a Credlar e a Eletroshopping, que são do mesmo dono).
Mas, até antes da geladeira, eu só tinha ido de carro. Nesse dia da geladeira, fomos de ônibus.
Na ida (sentido Recife-Olinda), tudo “bem”. A paradado ônibus inexplicavelmente não é na frente do shopping, embora haja espaço. Andamos alguns metros e atravessamos todo o estacionamento pra conseguir achar uma entrada. Mas, chegamos “bem”.
Na volta, feliz da vida com a nova aquisição (que chegaria à minha casa no dia seguinte), tive que gastar alguns reais a mais para o táxi. Simplesmente porque, também inexplicavelmente, não tem jeito fácil de pegar ônibus no sentido contrário.
Tem um canal no meio da avenida (a Agamenon), que não tem passagem pra pedestre. Quem está a pé tem que atravessar a via, andar vários metros e passar pelo canal por baixo do viaduto – local nada nada amigável -, atravessar a outra faixa para andar mais alguns metros e só então chegar à parada. De dia esse trajeto já não é muito cristão, porque, além de tudo, a área é pouco povoada. Imagina à noite.
É uma pena que um shopping tão grande não pense nos consumidores que não têm carro ou não podem – ou não querem – pagar táxi.
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David disse um dia algo como “a miséria de Recife é mais miserável”, ou coisa parecida. De fato. Aqui ainda há palafitas, a quantidade de desocupados de todas as idades nas ruas é enorme e tem a violência que todo mundo já provou ou ouviu falar.

Palafitas em um dos rios que cortam a cidade
Isso se junta à imagem suja em diversos pontos da cidade: a limpeza muitas vezes deixa a desejar.
Sei que essa parece simplesmente a face a lógica do capitalismo – em que quantos mais ricos alguns poucos são, mais pobre muitos são -, mas não sei se isso deve ser visto assim de modo tão aceitável. Ainda não compreendo bem a cidade, mas não é difícil apostar um dedo da mão direita como isso tem a ver com os dois maiores problemas da nossa socidade doente: descaso dos políticos e omissão da sociedade.
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“Veneza brasileira” é um lindo apelido poético pra Recife. Pode até fazer você esquecer dos avisos de que a cidade fede. Mas há pontos em que essa acusação é totalmente legítima.
Tive oportunidade de percorrer a Avenida Agamenon Magalhães – uma Prudente de Morais, ou melhor, uma Salgado Filho, digamos assim – depois de chover. Antes de chegar nela, o fedor de esgoto (esgoto meeesmo) já subia, mas eu achava que se restringiria à ponte que passávamos.

Quê?!? Toda a extensão da Agamenon lembrava um banheiro sujo. É que passa um canal entre as duas vias com todo tipo de “milacria”.
Ainda bem que Recife tem milhares de coisas pra compensar isso, que serão postadas aqui assim que possível – ando meio “presa” esses dias.
PS.: esse post foi programado para entrar hoje, a esta hora.
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