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Falando no Muda

Reutilizar. Renovar. Reiventar. Rever conceitos. É bom fazer isso de vez em quando. E, de vez em quando, é bom ter isso como rotina. Me sinto um pouco assim no Espaço Muda, galeria-bistrô-brechó-espaço de espetáculos que fica no bairro de Santo Amaro, na periferia do Recife (mas que está ganhando uma buliçosa vida noturna, especialmente pela presença dos dois maiores jornais no bairro).

Foto: Emídia Felipe

O Muda é minha dica permanente para quem gosta de arte e lugares aconchegantes. Também dá boas ideias para quando deixamos de lado o consumismo exagerado e pensamos em dar novos destinos às coisas – na decoração e no brechó. Virou point de gente interessante e área de tamanho ideal para exposições fora do circuito “chique” das artes.

Fiz um perfil para a Revista o Grito sobre o lugar. Sim, fui parcial: sugeri a pauta porque gostei. “Apesar de não ser o primeiro – nem será o último – a engrossar o circuito de points descolados que estão metamorfoseando a área, chama a atenção pela sua pluralidade. Apresenta propostas que envolvem artes visuais, teatro, música, cinema, literatura e gastronomia”, descrevo.

Foto: Emídia Felipe

Mas cada um pode ir lá e fazer as próprias avaliações.

No meu Flickr, mais fotos.

PS: deu saudades de escrever aqui. É o blog mais interativo que tenho e o que uma das coisas que me fazem me sentir mais em casa aqui no Recife. Vou tentar atualizá-lo mais.

Sushi bom e balato, né?

Que comer em Recife é mais barato que em Natal eu já sabia. Mas não sabia que isso incluia a deliciosa e delicada culinária japonesa. Essa semana, tentando satisfazer o repentino desejo de um amigo de comer sushi, fui até o Zen, que fica na Rua da Hora e sobre o qual eu já tinha ouvido falar.

A fachada estava desligada e a câmera do cel não é boa, mas dá pra reconhecer se passar em frente

O rodízio de sushi custa R$ 25,90. Sim, R$ 25,90 e de ótima qualidade. Eu, claro, me empanturrei. Quem me acompanhava, então… Eles também têm temakis – vegans, inclusive – e uma pitada chinesa, com rolinhos (primavera, camarão, etc), entre outras delícias asiáticas.

Foto: Emídia Felipe

Bom, né?

Vai um cavaco aí?

Aqui o cavaco chinês – uma espécie de hóstia crocante e doce – é vendido enrolado. Lá em Natal é aberto. Eu achei o daqui mais fácil de comer. O bom dos dois é que são igualmente gostosos e baratos.

Cavaco chinês recifense

Fita-me no fiteiro

(fi.tei.ro)

sm.

1. Fabricante de fita, de tiras estreitas.

2. Quem faz fita3, quem simula, finge estar sentindo ou agindo de certa forma

3. Quem é pródigo em galanteios e cortesias; quem namora muito

4. N.E. Espécie de porta envidraçada para isolar e proteger, em lojas, mercadorias expostas em prateleiras, sem impedir a visão das mesmas; vitrina

5. PB PE Barraca onde se vendem produtos como doces, cigarros etc; quiosque

a.

6. Diz-se de quem é fiteiro (1 a 3)


Mais uma pro nosso dicionário de recifês. Você topa com um desses em cada ponto da cidade, principalmente nas proximidades do centro, como o da foto aí embaixo. É como se fosse as nossas cigarreiras em Natal, só que menores e mais focadas em baganas e cigarros.

Fiteiro na Rua do Hospício

Mas tem outro. O bar Fiteiro, que fica num bairro nobre daqui, chamado Parnamirim, tal qual nossa cidade vizinha lá de Natal.

Entrada do Fiteiro

O cardápio e o público são semelhantes ao Bar do Neno e ao Bar Real. Mas eu gosto mais dele pela decoração – cheia de frases típicas de fiteiros, como as que tem nos parachoques de caminhão; o espaço é bom; fica numa praça tranquila; e tm uma jukebox.

Emídia Felipe

Lanchando – Bugaloo e Laça Burguer

Mais uma dica para matar aquela fome de sanduíche: Bugaloo

Lembra o Pittsburg, de Natal. Mas é maior e mais variada, com sushi (até determinada hora), outros pratos e um bar anexo (na unidade da Torre, pelo menos).

Fome monstra no Bugaloo

Os preços também lembram o Pitts. Ouvi falar que o pessoal do Bugaloo era da família – ou sócio – do Laça Burguer, e, encerrada a parceria, resolveram montar outra lanchonete. Mas só ouvi falar, não chequei nem nada.

O Laça Burguer  é muito bom e tem um estilo de loja mais puxado pro fast-food “tradicional” – têm até franquias. Um amigo meu gaúcho diz que eles têm a melhor maionese daqui. A entrega também funciona. Os preços são parecidos com o do Bugaloo.

Pelos mercados – Madalena

Quando eu era criança, costumava acompanhar meu pai, em manhãs de domingo, na feira da Cidade da Esperança. Natal não tem mercados, à exceção do da Redinha (praia da Zona Norte), então as feiras é onde a gente encontra esse comércio das antigas, onde se vende de quase tudo das maneiras mais simples.

Já aqui em Recife, os mercados fazem parte da história da cidade. Esses dias eu conheci o da Madalena.

800px-Mercadomadalena

No sábado, os bares que têm por lá ficam lotados. Do lado de fora, uma galeriazinha com vários deles tem uma cobertura para as mesas. Trio de sanfona, zabumba e triângulo fecham o cenário de lugar-nordestino.

Dentro, além de alguns bares, as lojas vendem comida, cordéis, utilidades domésticas e, principalmente, animais e acessórios para eles. Aliás, quem, como eu, não gosta de ver bicho preso – cheguei a testemunhar mais de 15 pássaros presos em uma gaiola pequena – deve pensar duas vezes antes de ir.

Mas eu fui pelo pessoal e pelo bar. Uns colegas estavam no lançamento do livro Cabeleira e outros cordéis do canganço.

Corredor do mercado

Corredor do mercado

Ficamos ouvindo um cantador enquanto pesticávamos na Confraria do Corno. Fundado há 35 anos, o bar antes se chamava A tracional rabada do Fernando. Como muitos policiais federais frequentavam o local e diziam que eles eram cornos por causa das mulheres que ficavam em casa, o nome foi alterado.

Interessante como a cornagem é uma "brincadeira sadia", como disse o dono do bar

Interessante como a cornagem é uma "brincadeira sadia", como disse o dono do bar

Lá pedimos uma macaxeira com cupim. Sensacional! Muito boa e por R$ 7, um bom prato para duas pessoas com fome ou três que petiscam.

Bar de bacana

Quem frequenta o Real Botequim, em Natal, sabe que é preciso estar com bolsos bem municiados. Com o daqui não é diferente, só muda o nome: os recifenses referem-se ao local como “Bar Real”.

Salão do "Bar Real"

Salão do "Bar Real"

No estilo do Bar do Neno, a comida é salgada no preço, mas no ponto do bom paladar. Tem umas promoções como chopp e caipifruta dobrado na segunda e terça-feira (quando eu fui tinha, era uma terça ou uma segunda, mas a promoção é suspensa em dias de jogos do Brasil e outros eventos que lotem o local).

Foto: Emídia Felipe via celular

Um dos dois únicos poréns foi justamente ligado ao jogo que assistíamos. O som estava quebrado. Uma das meninas que estava na mesa ficou ouvindo pelo rádio, e acabava sabendo das jogadas um minuto antes de podermos vê-las no telão. Ainda bem que não sou fanática por futebol.

O outro porém ficou por conta da conta. As cifras não desceram nada redondas. Mas também nem posso atribuir isso totalmente ao bar. Estávamos numa mesa enorme em que o nível de relacionamento entre os participantes era bem superficial – o que pode ter favorecido a possíveis erros de conta.

Centralizando

Lembram do Central? Aquele que eu falei rapidamente quando fui ao Frontal. Bom, eu estive lá dentro dia desses, e gostei.

Vista da área principal do bar a partir do mezzanino

Vista da área principal do bar a partir do mezzanino

É um point de jornalistas e outros bichos, com boa música – jazz e cia; mas a jukebox tem de rock a Luiz Gonzaga – e boa comida. Também citado no guia da Veja, como ótima opção para o happy hour.  Como já tinha jantado, pedi um doce: cartola, que aqui não leva chocolate, mas canela. Muito boa.

Bar com dinheiro

Estive em um dos ganhadores da última edição Veja Recife – não que a publicação seja um guia indefectível, mas é uma boa referência.

É o Bar do Neno, colado no irmão gêmeo Bar do Lula. O do Neno produz o caldinho considerado o melhor da cidade. Acabei descobrindo isso só depois de um casquinho de caranguejo e uma empada e, como já tinha jantado, não quis provar. Mas não faltarão outras oportunidades.

Salão do Bar do Neno

Salão do Bar do Neno

De todo modo, como eu dizia, a empada de palmito que comi era simplesmente perfeita. Eles servem no estilo Real Botequim, com garçons passando com os petiscos e oferecendo.

Provei ainda uma deliciosa – e bem doce, como gosto – tangiroska.

Tangiroska

Tangiroska

Como imaginei, o lugar, que fica em um bairro nobre da cidade (Parnamirim), não é barato. Estávamos lá porque era quarta-feira, dia de chopp (R$ 3,50) clonado – segunda também tem.  A tangiroska saiu a R$ 6,90. Uma cebola recheada com charque que um amigo comeu, R$ 9,90.

Caldinho completo: R$ 4,50

Caldinho completo: R$ 4,50

Enfim, é um lugar pra você ir quando estiver com dinheiro e a fim de petiscar e beber bem. Mas vale a pena. Eles são bem criativos. Essa semana, até domingo, estão servindo pratos feitos por clientes e parte da arrecadação vai para o Imip, uma ONG da área médica.

Boteco de centro

Dia desses finalmente dei minha primeira saída cervejística – nem gosto muito, mas esse novissímo adjetivo representa também reunião de pessoas conversando e rindo em torno de uma mesa de boteco, o que é muito bom. Vamos ao que eu vi:

Esse aqui é o Central. Point de jornalistas na Rua Mamede Simões, no centro do Recife, com comida árabe, petiscos e uma jukebox:

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Esse aqui é o Frontal, em frente ao Central. Primo pobre do Central, com cerveja a R$ 3 com direito a cadeira de plástico na calçada.

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Esse outro é o Zero1, no Recife Antigo. A arquitetura lembra as reformas em casa de pobre: vai fazendo uma coisa aqui, outra ali, quando dá, etc. Cerveja a menos de R$ 3.  Pelo que eu soube, a música lá costuma ir de Calypso à Bossa Nova, dependendo de quem está lá.

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No Zero1 também conheci o famoso caldinho daqui. Diferente de Natal, onde a gente “janta” numa cumbuca, aqui eles servem uma pequena porção em um copinho, às vezes descartável e a menos de R$ 2, geralmente acompanhado de uma de cana.

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Em ambos vou ter que levar minhas amigas Mariana Arêa e Nara Neri (outros também, claro, mas essas duas são presença obrigatória).