Quando eu era criança, costumava acompanhar meu pai, em manhãs de domingo, na feira da Cidade da Esperança. Natal não tem mercados, à exceção do da Redinha (praia da Zona Norte), então as feiras é onde a gente encontra esse comércio das antigas, onde se vende de quase tudo das maneiras mais simples.
Já aqui em Recife, os mercados fazem parte da história da cidade. Esses dias eu conheci o da Madalena.

No sábado, os bares que têm por lá ficam lotados. Do lado de fora, uma galeriazinha com vários deles tem uma cobertura para as mesas. Trio de sanfona, zabumba e triângulo fecham o cenário de lugar-nordestino.
Dentro, além de alguns bares, as lojas vendem comida, cordéis, utilidades domésticas e, principalmente, animais e acessórios para eles. Aliás, quem, como eu, não gosta de ver bicho preso – cheguei a testemunhar mais de 15 pássaros presos em uma gaiola pequena – deve pensar duas vezes antes de ir.
Mas eu fui pelo pessoal e pelo bar. Uns colegas estavam no lançamento do livro Cabeleira e outros cordéis do canganço.

Corredor do mercado
Ficamos ouvindo um cantador enquanto pesticávamos na Confraria do Corno. Fundado há 35 anos, o bar antes se chamava A tracional rabada do Fernando. Como muitos policiais federais frequentavam o local e diziam que eles eram cornos por causa das mulheres que ficavam em casa, o nome foi alterado.

Interessante como a cornagem é uma "brincadeira sadia", como disse o dono do bar
Lá pedimos uma macaxeira com cupim. Sensacional! Muito boa e por R$ 7, um bom prato para duas pessoas com fome ou três que petiscam.
Categorias: Cidade · Saídas
Etiquetado: comida
O Recife antigo tem um shopping. Poderia ser mais um centro de compras impondo o consumismo capitalista enlatado – porque quase todos os shoppings são iguais.
Mas esse, o Paço Alfândega, é diferente. Veja você mesmo:

Foto: Emídia Felipe

Foto: Emídia Felipe
As lojas seguem o mesmo estilo, a praça de alimentação também.
A dica é juntar essa visita com o passeio da Livraria Cultura (que é do lado e cuja nome “oficial” é Livraria Cultura – Paço Alfândega).
No dia em que estive lá, havia pouca gente passando e comprando. Espero que não seja o padrão, porque como qualquer empresa, sem clientes, fecha.
Categorias: Cidade · Compras · Cultura
Etiquetado: Pra cima, Shopping

Quem gosta sabe o quanto pode ser prazerosa uma passada em uma livraria. Estou inclusa nesse grupo e, para minha felicidade, a Livraria Cultura é mesmo tão encantadora quanto pintaram.
Estantes e mais estantes de livros, revistas, CDs, DVDs, souvenirs e até vinis (de pop a jazz), divididos em térreo e mezanino.

Mas a interação da cultura vai além dos diversos pontos de testes de áudio de CDs e checagem de preço. Há um auditório com algumas dezenas de lugares onde rolam palestras, debates e shows – a divisão desse espaço com o resto da loja é feita por um vidro; assim, quem passa pode dar uma espiada e, se resolver ficar por ali, senta no chão mesmo, que tem carpete.
Isso sem falar nas já conhecidas “extras de livrarias” poltronas, para quer quer ler por ali mesmo, e uma lojinha de café.
Categorias: Compras · Cultura
Etiquetado: Pra cima
Mais uma vez em Boa Viagem em um fim de semana desses e, mais uma vez, a saudade das praias urbanas de Natal.
Nem um domingo de feriadão na Praia do Meio tem tanto lixo.

Praia imunda
Dos recifenses ouvi argumentos como “aquele pedaço da praia é do ‘povão’”, “domingo é ‘povão’ e a ‘densidade populacional’ na areia aumenta muito”, “Recife tem ricos muito mais ricos e pobres muito mais pobres do que Natal e muito mais pobres vão à praia”.
Eu discordo. Não era só pobre na praia. Tudo bem que grana e educação muitas vezes andam juntos, mas acho que é um questão cultural do povo daqui mesmo, porque a cidade toda tem lixo. E quando falo a cidade, incluo a prefeitura, que não bota lixeiros na areia nem garis na praia.
É uma pena. Pior ainda porque, sem carro e sem grana, só me resta Boa Viagem.
Leia aqui outro post sobre a praia.
Categorias: Cidade · Saídas
Etiquetado: Pra baixo, praia
Não, o blog não acabou. Sim, está desatualizado.
Explico.
Estou sem computador há quase um mês. Sem tempo ($$$), sabe? E o pc do trabalho não reconhece minha câmera :O. Atualizar do trabalho também não é assim uma coisa exatamente fácil e ética.
Tão logo eu consiga ajeitar minha vida tecnovirtual eu volto a postar. Me comprometo a avisar por email a quem já comentou aqui e para quem não sabe usar o RSS – deixa um comentário que eu aviso quando o blog estiver ativo de novo.
Categorias: Uncategorized
Quem frequenta o Real Botequim, em Natal, sabe que é preciso estar com bolsos bem municiados. Com o daqui não é diferente, só muda o nome: os recifenses referem-se ao local como “Bar Real”.

Salão do "Bar Real"
No estilo do Bar do Neno, a comida é salgada no preço, mas no ponto do bom paladar. Tem umas promoções como chopp e caipifruta dobrado na segunda e terça-feira (quando eu fui tinha, era uma terça ou uma segunda, mas a promoção é suspensa em dias de jogos do Brasil e outros eventos que lotem o local).

Um dos dois únicos poréns foi justamente ligado ao jogo que assistíamos. O som estava quebrado. Uma das meninas que estava na mesa ficou ouvindo pelo rádio, e acabava sabendo das jogadas um minuto antes de podermos vê-las no telão. Ainda bem que não sou fanática por futebol.
O outro porém ficou por conta da conta. As cifras não desceram nada redondas. Mas também nem posso atribuir isso totalmente ao bar. Estávamos numa mesa enorme em que o nível de relacionamento entre os participantes era bem superficial – o que pode ter favorecido a possíveis erros de conta.
Categorias: Saídas
Etiquetado: comida
Um dos shoppings conhecidos no Recife é o Tacaruna – que passei um bom tempo chamando de Itacaruna.

É no caminho de Olinda. Tem cinema, Bompreço, wi-fi, boas lojas. Comprei meu microondas e minha geladeira lá – tem umas quatro lojas de eletrodomésticos (contando a Credlar e a Eletroshopping, que são do mesmo dono).
Mas, até antes da geladeira, eu só tinha ido de carro. Nesse dia da geladeira, fomos de ônibus.
Na ida (sentido Recife-Olinda), tudo “bem”. A paradado ônibus inexplicavelmente não é na frente do shopping, embora haja espaço. Andamos alguns metros e atravessamos todo o estacionamento pra conseguir achar uma entrada. Mas, chegamos “bem”.
Na volta, feliz da vida com a nova aquisição (que chegaria à minha casa no dia seguinte), tive que gastar alguns reais a mais para o táxi. Simplesmente porque, também inexplicavelmente, não tem jeito fácil de pegar ônibus no sentido contrário.
Tem um canal no meio da avenida (a Agamenon), que não tem passagem pra pedestre. Quem está a pé tem que atravessar a via, andar vários metros e passar pelo canal por baixo do viaduto – local nada nada amigável -, atravessar a outra faixa para andar mais alguns metros e só então chegar à parada. De dia esse trajeto já não é muito cristão, porque, além de tudo, a área é pouco povoada. Imagina à noite.
É uma pena que um shopping tão grande não pense nos consumidores que não têm carro ou não podem – ou não querem – pagar táxi.
Categorias: Cidade · Compras
Etiquetado: Pra baixo, Shopping, trânsito
Não bastasse eu ser mulher, agora sou uma recentíssima dona de casa. Imagina a minha vontade de comprar coisas!
Para a tristeza do meu lado racional que me manda controlar as contas, conheci o Atacadão dos Presentes. Precisa de um friso? Vá lá. Precisa de um jarro de vidro? Vá lá. Precisa de uma furadeira? Vá lá. Precisa de um presente de última hora para a sogra e pro primo pentelho? Por ir lá.

Esteiras rolantes vão e vêm nos três pisos
São três pisos de tudo o que você imaginar e mais um pouco. Um mundo de bugigangas e coisas úteis.
E olha que a loja que eu fui foi a da Boa Vista (Boa Vista é um bairro, mas quando falam “a” Boa Vista, geralmente estão se referindo à Avenida Conde da Boa Vista, a principal do centro). Mas me disseram que a que tem perto do Metrô é muuuito maior. Não consigo montar a imagem na minha cabeça.
O site da empresa deixa a desejar – mas entre pra você conhecer a marca e dar uma passada quando estiver por aqui.
Tenho medo de levar minha mãe lá. Ela vai enlouquecer. E falir.
Categorias: Casa · Compras
Etiquetado: Pra cima, Shopping
Não me surpreende que uma cidade nascida e criada em berço cultural tenha vários locais em que as expressões artísticas se unam para criar um ambiente de prazer e descontração. Mas conhecer esses lugares sempre alimenta minha curiosidade e o “quê” de surpresa dá um temperinho gostoso da descoberta.
O Iraq foi o primeiro deles. Fica na Boa Vista, na Rua do Sossego.

Entrada do Iraq
Quando chegamos o som ao vivo tinha terminado. Mas ficamos por ali porque muita gente ainda circulava e ainda tinha muita conversa boa para cavar. Fui entrando e curtindo a decoração.



Não paguei nada pra entrar. Mas às vezes parece que rolam uns shows pagos, tipo R$ 5. Um bar garante o abastecimento de bebidas alcoólicas e refrigerantes, além de vender alguns fanzines e revistinhas com artistas locais.

É uma boa pedida pra quem quer “relaxar” tranquilamente, conversar com gente interessante e ver e ouvir material mais alternativo.
Categorias: Cultura · Saídas
David disse um dia algo como “a miséria de Recife é mais miserável”, ou coisa parecida. De fato. Aqui ainda há palafitas, a quantidade de desocupados de todas as idades nas ruas é enorme e tem a violência que todo mundo já provou ou ouviu falar.

Palafitas em um dos rios que cortam a cidade
Isso se junta à imagem suja em diversos pontos da cidade: a limpeza muitas vezes deixa a desejar.
Sei que essa parece simplesmente a face a lógica do capitalismo – em que quantos mais ricos alguns poucos são, mais pobre muitos são -, mas não sei se isso deve ser visto assim de modo tão aceitável. Ainda não compreendo bem a cidade, mas não é difícil apostar um dedo da mão direita como isso tem a ver com os dois maiores problemas da nossa socidade doente: descaso dos políticos e omissão da sociedade.
Categorias: Cidade
Etiquetado: Pra baixo